Ícaro Alexsander Costa iniciou oficialmente seu trabalho no teatro em 2006. Ator, diretor, malabarista e acrobata, é formado pelo curso de Bacharelado em Artes Cênicas - Interpretação Teatral, pela Universidade Federal de Santa Maria.

Atualmente trabalha como Diretor de Artes Cênicas no Instituto Federal de Rondônia - RO (IFRO), no Campus Porto Velho Zona Norte.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Relatos...

Fazendo minhas pesquisas para a construção da personagem do meu monólogo, que é um morador de rua, acabei descobrindo que amo muito mais os cachorros do que os seres humanos. Claro, também não posso querer generalizar, pois graças a Deus uma pessoa é diferente da outra.
Mas que tipo de ser humano trata o outro como um animal, chingando e até cuspindo? Esse "tipo" se é que se pode classificar como gente, é que me revolta.
Muitas pessoas desprezam os moradores de rua, nem os olham na cara, ignoram-os como se eles não existissem: são os chamados homens invisíveis.
Geralmente os chamam de vagabundos, desocupados, marginais. Porque esses rótulos? Simplesmente porque eles não tiveram as mesmas oportunidades que nós? É o velho preconceito que nos assombra, pois julgamos os moradores de rua sem saber os reais motivos que os levaram a escolher este tipo de vida. Muitos são motivados a sair de casa por causa da violência doméstica, encontram na rua a única maneira de fugir dessa rotina.
Existem ainda os que trabalham como guardadores de carro ou engraxates. Mas hoje em dia, quem é que permite um desconhecido engraxar o seu sapato? Criticam-os por pedirem esmolas, mas também não os dão oportunidade para trabalharem.
Será por medo?
Entrando na questão das esmolas, muita gente evita realizar esse ato por não saber como os moradores de rua irão gastar esse dinheiro, em que irão aplicar. Normalmente pensam que será em drogas ou álcool. Esse não deixa de ser um ponto delicado que pretendo me aprofundar mais adiante.
Mas o que mais me choca é saber que não existem apenas adultos e jovens nas ruas. Muitas crianças entre 6 e 16 anos já se encontram nessa triste situação, sem contar as crianças de colo que, desde que nascem, são criadas pelos pais na rua.
De maneira geral, acredito que o que nos falta é sermos um pouco mais solidários uns com os outros. Ver um morador de rua como nosso semelhante, que não possui um teto para morar, vive uma batalha diária para conseguir coisas que talvez um dia eles tiveram, mas que talvez nunca mais recuperem.
Fica como reflexão: de quem é a culpa por existirem tantas pessoas nessa situação? São as famílias que não possuem recursos para sustentar seus filhos? O governo, que não dá as mesmas oportunidades para todos? Ou somos nós, que viramos as costas para essa realidade?

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